24.2.14

o monólogo de Carlos Costa II

Olá Monologers!

     Lembram-se do Carlos Costa? Ele já tinha feito um post aqui no blog, o monólogo de Carlos Costa, um post que fez muito sucesso aqui no blog. E hoje trago-vos mais um texto escrito pelo Carlos, desfrutem! 

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"O Golfista dos 500"

     Todas as manhas, antes do Whiskey, James olhava atentamente para o seu jornal. James jogava golfe. Mas não era um golfe banal. Era um golfe especial. Jogava golfe com notas de quinhentos, um hobby caro. Do topo do edifício onde trabalhava, James tacava todas as manhãs as suas bolas de papel roxo claro. Banalmente, as tacava como se de papel normal se tratasse. E tratava-se, pelo menos para ele. 
Descia todas as manhas, atarefado, a sua empresa de uma ponta á outra sempre á procura de alguma irregularidade, para ser colmatada por ele de imediato. 
Um tipo correto, educado e perspicaz. Falava fluentemente Inglês, Francês, Japonês, Alemão e estava a caminho das línguas do Leste. Condecorado com o premio de empregado do ano 4 anos seguidos, estando a duas semanas de chegar ao penta. James teve uma infância calma e coerente. 
Nasceu numa aldeia pacata onde toda a gente se conhecia, menos a ele próprio. Sempre tentou ser o melhor em tudo o que fazia. Na sua aldeia, ficou conhecido por ter proferido a frase “Relativamente a mim sei que vou ser rico. Quanto aos outros, sei que vou ser mais rico que eles.” com apenas 6 anos . Aos 14 já geria os 4 cafés da aldeia e assim contribuía com o dobro do contributo mensal dos pais para as despesas da casa. James era o filho que toda a gente gostava de ter. Toda essa cobiça e superlativização, lhe alimentaram o ego durante anos, mas algo estava para acontecer. 

     Nesse dia, James sentiu-se calmo e desorientado. Não tinha nada que fazer. Tudo estava correto, todos os seus afazeres estavam completos. Nada. Nem uma folha fora do sítio. Saiu do prédio e foi tomar café. Chegando ao café, viu um homem a ser agredido por um grupo de delinquentes. James não podia ficar parado, a sua disciplina e a sua honra que aprendera nas artes marciais anos antes não deixavam o café fluir livremente pelo seu grosso pescoço abaixo. James dirigiu-se ao grupo e em golpes suaves enxotou aqueles sujeitos, de seguida, o homem agradeceu a James, convidando-o para tomar um café e James aceitou. Se fosse um dia normal o nosso amigo nunca teria aceitado, mas como não tinha nada que fazer decidiu envergar nesta aventura e tirar algo de risível deste simplório cidadão de classe média. O que teria ele pra ensinar a James? Pff…

     James pediu o habitual, um Latte Macchiato com extra natas e um doce toque de caramelo. O sujeito pediu um café simples. Ou seja sem natas. Sem caramelo. James riu-se e perguntou o nome daquela invulgar figura. O sujeito respondeu calmamente dizendo “Fernando”. James sorriu novamente, pois Fernando era nome de pobre. Nesse momento, Fernando reparou que os dentes de James, derivado do café, eram tão brancos como um limão. 
Durante a conversa, James começou a gostar da maneira como Fernando era livre. Ou pelo menos demonstrava ser.Passaram-se horas e James ficou completamente obcecado por aquele homem, tinha de ficar com o contacto dele para poder falar com
ele novamente e sentir aquele bem estar e a liberdade que descobriu esta tarde. James pediu o contacto e saiu. 

     No dia seguinte, James iniciou o seu trabalho com uma reunião. Entrou e sentiu uma pressão no ar.Viu um grupo de charutos numa sala, sentados, esperando a sua chegada para iniciar a reunião. Eram todos com o peso acima do ideal. James imaginou-os num ginásio. Passou-lhe pela mente um slogan que vira no dia anterior na rua: ”Está-se achando gordo e feio ? Seja só feio !”, e sorriu durante pouco tempo, depois lá foi para a sua reunião. James acreditava na união e até tinha uma frase que o comprovava ”Até o milhão para o ser precisa dos seus zeros”. Depois ligou de novo ao seu amigo Fernando e combinou um encontro. Nessa conversa, Fernando contou toda a sua vida, que tinha nascido numa casa de gente rica; que nunca precisou de aprender a fazer nada pois tudo caia do céu; que não aprendeu a dar valor às coisas boas da vida, pois a única coisa que sabia era o seu preço. James ouvia atentamente e tirava algumas notas mentalmente, pois lá no fundo, James sentia-se um pouco como Fernando se sentira anos antes. James perguntou repentinamente:
-“E como aprendeu a ser a pessoa que é hoje ?”
Fernando respondeu:
-De um momento para o outro fiquei sem nada e aprendi uma coisa,” O mundo não és só tu e a tua zona de conforto. Para tu teres a noção, somos bilhões no mundo, cada um com a sua zona de conforto, mesmo que seja desconfortável.”
Depois Fernando continuou:
-Agora vou-me embora que há um parvo que todas as manhas atira notas de 500 euros embrulhadas, do cimo de um edifício. Quer vir também ? Dá para si.
James completamente estupefacto respondeu:
-Não obrigado. Apanha-as por mim.

 Por Carlos Costa.
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Consultem aqui a página de facebook do Carlos Costa.
Bem, espero que tenham gostado e saboreado as palavras tanto como eu. Obrigado Carlos!

Com um beijinho repleto de Arte, Cirila Bossuet. 

 -----Tadução / Translation-----
Name of the post: the monologue of Carlos Costa II
Monologers, Hello!
     Remember the Carlos Costa? He had already made a post here on the blogthe monologue of Carlos Costa, a post that was very successful here in the blog. And today I bring you another text written by Carlos, enjoy!
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"The Golfer of the 500

        Every morning, before the Whiskey, James looked closely at your newspaper. James played golf. But it was not a trivial golf. It was a special golf. Played golf with notes of five hundred, an expensive hobby. The top of the building where he worked, James threw every morning your balls of light purple paper. Trivially, threw the paper as if it were normal. And this was, at least for him.  
Down every morning , busy , his company from one end to the other always looking for any irregularities, to be filled by him immediately . 
A correct , educated and insightful guy. He spoke fluent English , French , Japanese, German , and was en route to the Eastern languages ​​. Awarded the award for Employee of the Year four years in a row , with two weeks to reach the penta . James had a calm and consistent childhood.
James had a calm and consistent childhood. Born in a quiet village where everyone knew it except himself. Always tried to be the best at everything he did . In her village , was known to have uttered the phrase " For I know I'll be rich . As for the others , I know I'll be richer than them. " With only 6 years. At 14 already operated 4 cafes of the village and thus accounted for twice the monthly contribution of parents to the household expenses . James was the son that everyone liked to have. All this greed fueled his ego over the years , but something was about to happen .
      On that day , James felt calm and disoriented . It had nothing to do. Everything was correct, all his chores were complete . Nothing . Not a leaf out of place . He left the building and was coffee. Arriving at the cafe, saw a man being attacked by a group of offenders . James could not sit still , his discipline and his honor had learned in martial arts years before would not allow the coffee to flow freely through your thick neck below. James addressed the group and smooth strokes shooed those subjects , then , the man thanked James , inviting him for coffee and James accepted . If it was a normal day our friend never would have agreed , but I had nothing to do decided to wear this adventure and get something out of this laughable simpleton middle class citizen . What would he have to teach James ? Please...

     James asked the usual , a Latte Macchiato with extra cream and a sweet touch of caramel. The guy asked a simple coffee. In other words, no cream . No caramel. James laughed and asked the name of that unusual figure. The man calmly replied saying " Fernando " . James smiled again because Fernando was the name of poor. At that moment , Fernando noticed that the teeth of James , derived from coffee, were as white as a lemon . During the conversation , James began to like the way Fernando was free . Or at least be demonstrated . Hours passed and James became completely obsessed with this man , had to stay with his contact to be able to talk to him again and feel that welfare and freedom that discovered this afternoon. James asked for the contact and left.

       The next day , James began its work with a meeting . Entered and felt a pressure in the air . Saw a bunch of cigars in a room , sitting , waiting for your arrival to start the meeting . Were all the weight above ideal . James imagined them in a gym. Flashed through his mind a slogan he had seen the day before on the street : " You are finding yourself fat and ugly ? Be just ugly ", and smiled briefly , then was there for their meeting. James believed in marriage and even had a phrase that proved " Until million to be precise its zeros ." Then called again to his friend Fernando and arranged a meeting . In this conversation , Fernando told all his life , he was born in a house of rich people , that never needed to learn to do anything because everything fell from the sky , he learned not to appreciate the finer things in life , because the only thing that knew was its price . James listened intently and took some mental notes , because deep down , James felt a bit like Fernando felt years before . James asked suddenly :
-"And you learned how to be the person you are today?"
 
Fernando said: -From one moment to the next I had nothing and I learned one thing, "The world not only are you and your comfort zone. For thou hast a sense, we are billions in the world, each with its comfort zone, even if it's uncomfortable. " After Fernando continued: -Now I'm out there a moron who shoots every morning notes worth 500 wrapped, the top of a building. Want to come? Gives to you. Completely stunned James replied: -No thanks. Pick them up for me.
By Carlos Costa. 
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 Consult here the facebook page of Carlos Costa .

     Well, hope you enjoyed and savored the words as much as me. Thank you Carlos! 
With a kiss full of Art, Cirila Bossuet.